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Proteção contra surtos em sistemas solares: como evitar prejuízos e paradas

10/02/2026

Proteção contra surtos em sistemas solares: como evitar prejuízos e paradas

Quando a gente fala em energia solar, é comum pensar em placas no telhado e em economia na conta de luz. Mas existe um “vilão invisível” que pode comprometer tudo isso: os surtos de tensão (ou simplesmente “surtos”), que são picos elétricos muito rápidos e intensos. Eles podem acontecer por descargas atmosféricas indiretas (raios que caem nas proximidades e “espirram” energia na rede) e também por manobras na rede elétrica (chaveamentos e operações que geram perturbações). O problema é que esses surtos “batem” no isolamento dos equipamentos, estressam componentes eletrônicos e, com o tempo, reduzem a vida útil do sistema — além de aumentar o risco de falhas e paradas de geração.

A boa notícia é que existe um caminho bem definido para reduzir esse risco: usar e posicionar corretamente os DPS – Dispositivos de Proteção Contra Surtos (muita gente chama de “protetor contra surto”). A má notícia é que nem todo DPS é igual, e nem toda instalação exige o mesmo “nível” de proteção. E é aqui que muita gente se confunde.

 

O que um DPS faz, na prática?

Pense no DPS como uma válvula de alívio. Quando um surto aparece, ele tenta “empurrar” tensão demais para dentro do seu inversor e dos seus circuitos. O DPS entra em ação para desviar essa energia para a terra, reduzindo o impacto sobre os equipamentos sensíveis. Isso é especialmente importante porque inversores e eletrônica moderna podem ser afetados até por perturbações menores — e, em surtos, a energia chega rápido demais.

Agora vem a pergunta que vale ouro: qual DPS escolher?

 

“Classe I, II, III”… o que isso quer dizer?

As classes indicam, de forma geral, a robustez do DPS e o tipo de surto para o qual ele é mais indicado.

  • Classe I: usada quando há possibilidade de surtos mais severos (por exemplo, em locais com SPDA externo, o “para-raios”, ou em instalações mais expostas).
  • Classe II: muito comum em casas e empresas; protege contra surtos relevantes do dia a dia e costuma ser aplicada no lado CA (rede elétrica) e no lado CC (placas).
  • Classe III: proteção complementar, usada para “refinar” ainda mais a proteção de equipamentos sensíveis.

Na prática, a escolha depende do cenário: em muitos telhados, classe II (às vezes combinada com III) atende bem; quando existe SPDA externo, a proteção de entrada tende a pedir classe I; e em usinas em solo, por serem mais expostas, é comum exigir classe I, com capacidade adequada de descarga.

 

Um detalhe que quase ninguém comenta: corrente de fuga e desligamentos “sem motivo”

Muitos DPS usam uma tecnologia baseada em MOV (varistores de óxido metálico). Eles funcionam bem para controlar sobretensões, mas têm uma desvantagem relevante: apresentam uma corrente de fuga (mesmo que pequena). Essa corrente faz o MOV envelhecer com o tempo, aumentando ainda mais a própria corrente de fuga e acelerando o desgaste. Além disso, essa corrente pode reduzir a resistência de isolamento da instalação por causa de capacitâncias parasitas (efeitos elétricos indesejados que “aparecem” no sistema).

Em sistemas pequenos, isso pode passar despercebido. Mas em usinas de médio e grande porte, com muitos DPS instalados, essas capacitâncias podem se somar e reduzir bastante a resistência de isolamento. E aí entra um problema bem chato: com variações ambientais comuns — como orvalho de manhã ou chuva — a resistência pode cair ainda mais, levando o sistema de supervisão a desligar a usina ou impedir que ela ligue cedo. Resultado: perda de geração, mesmo quando “está tudo certo” com a instalação.

Para mitigar isso, vale considerar DPS livres de corrente de fuga, como soluções baseadas em centelhadores a gás, que ajudam a evitar correntes permanentes para a terra. Na prática, isso tende a manter a resistência de isolamento mais estável, reduzir desligamentos desnecessários e aumentar a durabilidade da proteção.

Traduzindo para o dia a dia: é o tipo de detalhe que separa um sistema que “funciona” de um sistema que funciona com estabilidade e sem sustos.

 

“Meu inversor já tem DPS integrado. Então estou protegido?”

Aqui mora uma das armadilhas mais comuns. Virou frequente encontrar inversores com DPS interno (geralmente classe II), mas isso não significa, por si só, proteção completa.

O ponto crítico é que, em muitos casos, para o DPS integrado agir, o surto precisa primeiro entrar no inversor — e só então o dispositivo desvia a energia para a terra. O problema é que surtos são eventos de alta frequência e podem se espalhar de forma complexa dentro do equipamento, atingindo partes sensíveis até por acoplamentos elétricos “indiretos”.

Por isso, a estratégia mais segura costuma ser evitar que o surto chegue ao inversor, instalando DPS externo. Assim, a energia é desviada para a terra antes de entrar no equipamento. E tem um bônus prático: DPS externo tende a ser mais fácil de inspecionar e substituir do que um integrado.

Em resumo: o DPS do inversor pode ajudar, mas muitas vezes não é suficiente para garantir confiabilidade e segurança a longo prazo, especialmente em regiões com maior incidência de surtos.

 

“Ok, então vou colocar DPS externo.” Só isso resolve?

Ajuda muito — mas ainda há um detalhe decisivo: coordenação.

Quando você tem proteção “em cascata” (por exemplo, DPS externo + DPS integrado), é essencial garantir que, diante de um surto, o primeiro e mais robusto elemento de proteção atue primeiro. Assim, a descarga mais intensa é desviada antes de chegar aos dispositivos seguintes, que costumam ser mais sensíveis.

O desafio é que essa coordenação depende de especificações técnicas claras — e nem sempre os equipamentos fornecem todos os dados necessários com o nível de detalhe ideal. Em locais mais “agressivos” (muitas descargas atmosféricas na região, ou presença de SPDA externo), pode ser necessário reforçar a estratégia com DPS mais apropriados ao cenário, em vez de confiar apenas em proteção interna.

 

Por que as normas importam (mesmo para quem “não quer dor de cabeça”)

Proteção contra surtos não é luxo: é uma forma direta de manter o sistema eficiente e seguro no longo prazo. As normas existem para orientar como projetar proteção externa e interna de forma coerente, reduzindo falhas, paradas, manutenção inesperada e custos.

 

Fechando com um exemplo simples

Imagine dois vizinhos com sistemas solares iguais. Um instalou “o básico do básico”, confiando apenas no DPS do inversor. O outro instalou proteção externa bem dimensionada e coordenada. Os dois economizam na conta — até o dia em que uma tempestade forte passa pela região. No primeiro, o inversor pode sofrer dano ou começar a falhar mais cedo; no segundo, a chance de o surto ser desviado antes de “entrar” no equipamento é muito maior. No fim, proteção contra surtos não é sobre “gastar mais”: é sobre proteger o investimento que você fez para economizar por décadas.

E é exatamente esse tipo de cuidado que uma integradora séria precisa ter no projeto: entender o local, avaliar se há SPDA, escolher classe e tecnologia de DPS, prever coordenação e facilitar manutenção. Na Inovacare SOLAR, a gente acredita que energia solar é para trazer tranquilidade — e isso inclui pensar nos detalhes de segurança que quase não aparecem no orçamento, mas fazem toda a diferença no longo prazo.

 

Referências:

HOLZSCHUH, Michael. Proteção contra surtos em sistemas fotovoltaicos – Parte 2. FotoVolt, São Paulo: Aranda Editora Técnica e Cultural Ltda., ano 11, n. 88, p. 24-27, jan. 2026. Disponível em: https://www.arandanet.com.br/revista/fotovolt/edicao/2026/janeiro. Acesso em: 4 fev. 2026.

INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL COMMISSION. IEC 62305:2025 SER: Protection against lightning – ALL PARTS. Genebra: IEC, 2025. Disponível em: https://webstore.iec.ch/en/publication/6797. Acesso em: 4 fev. 2026.

INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL COMMISSION. IEC 61643-01:2024: Low-voltage surge protective devices – Part 01: General requirements and test methods. Genebra: IEC, 2024. Disponível em: https://webstore.iec.ch/en/publication/65315. Acesso em: 4 fev. 2026.

INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL COMMISSION. IEC 61643-12:2020: Low-voltage surge protective devices – Part 12: Surge protective devices connected to low-voltage power systems – Selection and application principles. Genebra: IEC, 2020. Disponível em: https://webstore.iec.ch/en/publication/32531. Acesso em: 4 fev. 2026.

INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL COMMISSION. IEC 61643-32:2017: Low-voltage surge protective devices – Part 32: SPDs connected to the d.c. side of photovoltaic installations – Selection and application principles. Genebra: IEC, 2017. Disponível em: https://webstore.iec.ch/en/publication/30774. Acesso em: 4 fev. 2026.

INTERNATIONAL ELECTROTECHNICAL COMMISSION. IEC 60364-4-44:2024 RLV: Low-voltage electrical installations – Part 4-44: Protection for safety – Protection against voltage disturbances and electromagnetic disturbances. Genebra: IEC, 2024. Disponível em: https://webstore.iec.ch/en/publication/104438. Acesso em: 4 fev. 2026.

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