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Ovelhas à sombra dos painéis solares: por que a agrovoltaica melhora a criação de ovinos

26/01/2026

Ovelhas à sombra dos painéis solares: por que a agrovoltaica melhora a criação de ovinos

A imagem de ovelhas descansando sob a sombra de painéis solares, enquanto a mesma estrutura gera eletricidade, já não é só ideia de laboratório: virou realidade em propriedades brasileiras. Em Jaboticabal (SP), um estudo de mestrado conduzido por Sergio da Silva Fidelis, na Unesp, avaliou cordeiros confinados em dois ambientes: um sistema convencional, sem sombra, e outro em que os animais tinham à disposição uma estrutura de painéis solares fornecendo sombreamento e geração de energia ao mesmo tempo. A partir desses resultados, fica mais fácil entender, de forma prática, como a agrovoltaica animal pode melhorar a criação de ovinos em regiões quentes.

De forma simples, agrovoltaica animal é o uso da mesma área para criação de animais e geração de energia solar. Em vez de separar um pedaço da fazenda só para painéis fotovoltaicos e outro só para o rebanho, o produtor integra os dois: os painéis são instalados em altura suficiente para que as ovelhas circulem por baixo, criando faixas de sombra. O sol que antes batia direto no dorso dos animais passa a ser interceptado, reduzindo o calor que eles sentem e, ao mesmo tempo, sendo convertido em eletricidade. Isso traz três ganhos ao mesmo tempo: mais conforto térmico, melhor aproveitamento da ração e um sistema de produção mais sustentável.

Para entender por que isso é tão importante, basta lembrar como é criar ovinos em clima quente. Em muitas regiões brasileiras, as ovelhas enfrentam dias longos de sol forte, com temperaturas elevadas e radiação intensa. Quando o ambiente fica mais quente do que a zona de conforto do animal, o organismo precisa trabalhar mais para manter a temperatura interna sob controle. Na prática, os ovinos passam a respirar com mais rapidez, procuram desesperadamente sombra, reduzem o tempo de alimentação e ficam boa parte do dia apenas tentando se livrar do calor. Tudo isso consome energia que deixa de ser usada para crescimento e ganho de peso. Em confinamentos sem sombra, a situação é ainda mais crítica, porque o animal tem pouca opção de onde ficar.

No experimento em Jaboticabal, o cenário foi justamente esse: uma parte dos cordeiros ficou em baias comuns, expostas ao sol, e outra parte em baias semelhantes, mas com uma estrutura de painéis solares criando uma área sombreada. Ao longo de 60 dias, os pesquisadores acompanharam ganho de peso, consumo de ração, temperatura corporal, frequência respiratória e comportamento, como tempo deitado, ruminando e em pé. Os resultados mostraram que, nos horários de maior calor, a maior parte dos animais no sistema com painéis buscava espontaneamente a sombra. Não é preciso ser técnico para entender: se há um lugar mais fresco, o animal vai atrás.

As medições confirmaram aquilo que o comportamento já sugeria. Os cordeiros sob a estrutura fotovoltaica apresentaram temperaturas superficiais mais baixas e respiravam menos ofegantes em comparação com os mantidos em baias totalmente expostas ao sol. Em outras palavras, o corpo deles precisava se esforçar menos para se resfriar. Esse alívio no estresse térmico se refletiu também no jeito de se comportar: os animais com acesso à sombra passavam mais tempo deitados e ruminando, especialmente nos períodos mais quentes do dia, algo típico de um rebanho em melhor condição de conforto. Já em ambientes muito quentes e sem proteção, o comum é ver ovelhas em pé, inquietas e respirando rápido por longos períodos.

Do ponto de vista produtivo, o dado mais interessante é que o ganho de peso médio foi semelhante nos dois sistemas, mas os cordeiros sob os painéis solares comeram menos ração para chegar ao mesmo resultado. Isso significa que a eficiência alimentar foi maior no sistema agrovoltaico: para cada quilo de ganho de peso, foi preciso menos alimento. Essa diferença, mesmo que pareça pequena em porcentagem, tem grande impacto quando se considera um lote inteiro de animais e vários ciclos de produção ao longo do ano. Em tempos de custo alto com insumos, conseguir manter o desempenho com menor consumo de ração é um ganho real para o bolso do produtor — e foi alcançado simplesmente tornando o ambiente mais agradável ao rebanho.

O lado energético da história também é relevante. A estrutura usada no estudo, com 20 painéis, formava uma pequena usina capaz de gerar alguns megawatts-hora de eletricidade ao ano. Essa energia poderia ser usada na própria fazenda, em atividades como bombeamento de água, resfriamento de leite, iluminação e funcionamento de equipamentos, ou ser injetada na rede, reduzindo a conta de luz. Além disso, por se tratar de uma fonte renovável, essa eletricidade ajuda a compensar parte das emissões de gases de efeito estufa associadas à produção animal. Nas estimativas do estudo, a energia gerada pelos painéis seria capaz de compensar uma parcela significativa do metano produzido pelos próprios ovinos confinados naquela área, aproximando o sistema de um modelo de produção mais alinhado às exigências ambientais atuais.

Quando juntamos todas essas peças, fica claro por que a agrovoltaica melhora a “qualidade da criação” de ovinos. Não se trata apenas de produzir mais carne, mas de fazer isso com animais mais confortáveis, melhor aproveitamento da ração e menor impacto ambiental. Ovelhas sob sombra adequada apresentam menos sinais de estresse, mantêm comportamentos naturais de descanso e ruminação, aproveitam melhor o alimento e convivem em um ambiente que não “luta contra elas” nos dias de calor intenso. Ao mesmo tempo, o produtor passa a usar o sol duas vezes: como fonte de energia para a fazenda e como aliado para proteger o rebanho.

Claro que a implementação exige planejamento: é preciso pensar na altura e no espaçamento dos painéis, na circulação de ar sob a estrutura, na manutenção contra poeira e sujeira e na segurança elétrica. É justamente aí que entram empresas integradoras experientes como a Inovacare SOLAR, que desde 2016 trabalha com sistemas fotovoltaicos para residências, comércios, indústrias e propriedades rurais, dimensionando cada usina conforme a realidade de consumo e as necessidades do cliente. No campo, isso pode significar desde uma usina convencional em telhados ou no solo até soluções pensadas para sombreamento de áreas de manejo, aproximando a realidade da fazenda do conceito de agrovoltaica animal.

No fim das contas, a mensagem é simples: em um país quente como o Brasil, criar ovinos em sistemas que ignoram o efeito do calor é desperdiçar potencial produtivo e sacrificar o bem-estar dos animais. A agrovoltaica surge como um caminho inteligente para mudar esse cenário, aproveitando a mesma radiação solar que antes era problema para gerar energia limpa e conforto térmico. Para quem pensa em longo prazo, ela não é apenas uma novidade tecnológica, mas uma oportunidade concreta de tornar a criação de ovinos mais eficiente, mais sustentável e mais alinhada com o futuro da agropecuária.

 

Referências:

Fidelis, S. da S. Agrovoltaica animal como alternativa para melhorar a sustentabilidade na produção de ovinos em ambiente tropical. 2023. Dissertação (Mestrado em Zootecnia) – Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias, Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho”, Jaboticabal, 2023. Disponível em: https://repositorio.unesp.br/server/api/core/bitstreams/66d0059e-f33f-413b-b0b5-7d154010d3cc/content. Acesso em: 21 jan. 2026.

Fidelis, S. da S. et al. Animal agrivoltaics facilitates the sustainable intensification of sheep production in tropical areas. Small Ruminant Research, 2025. DOI: 10.1016/j.smallrumres.2025.107691. Disponível em: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0921448825002640. Acesso em: 21 jan. 2026.

Neves, L. Agrovoltaica contribui para melhorar a qualidade de criação de ovinos em Jaboticabal (SP). pv magazine Brasil, 15 jan. 2026. Disponível em: https://www.pv-magazine-brasil.com/2026/01/15/agrovoltaica-contribui-para-melhorar-a-qualidade-de-criacao-de-ovinos-em-jabuticabal-sp/. Acesso em: 21 jan. 2026.

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