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China cria novas regras para elevar a eficiência da indústria de energia solar

28/07/2026

China cria novas regras para elevar a eficiência da indústria de energia solar

A China anunciou uma mudança importante para sua indústria fotovoltaica. A partir de 1º de janeiro de 2027, fabricantes de diferentes equipamentos e materiais usados na geração de energia solar terão de cumprir novas exigências obrigatórias de consumo e eficiência energética.

As regras alcançam praticamente toda a cadeia produtiva, desde a fabricação do silício utilizado nas células solares até a produção de módulos fotovoltaicos e inversores. Na prática, isso significa que não bastará fabricar grandes quantidades ou oferecer produtos a preços muito baixos. As empresas também precisarão demonstrar que seus processos industriais consomem energia dentro dos limites estabelecidos e que seus equipamentos atingem níveis mínimos de desempenho.

A medida surge depois de quase dois anos de excesso de capacidade produtiva e forte concorrência por preços na indústria fotovoltaica chinesa. Para quem não acompanha o setor de perto, pode parecer estranho falar em “excesso” dentro de um mercado que continua crescendo. Afinal, quanto mais equipamentos solares forem produzidos, melhor, certo?

A questão é um pouco mais complexa. Quando a capacidade das fábricas cresce muito mais rapidamente do que a demanda, diferentes fabricantes passam a disputar os mesmos compradores. Essa competição pode derrubar preços, mas também aumenta a pressão sobre empresas menos eficientes e sobre linhas de produção mais antigas. O desafio, portanto, é fazer com que o crescimento da indústria não dependa apenas da quantidade fabricada, mas também da qualidade dos produtos, da eficiência dos processos e do consumo responsável de energia.

 

O que muda com as novas normas chinesas?

A China publicou três normas nacionais obrigatórias em 27 de junho de 2026. Elas tratam da produção de polissilício e germânio, da fabricação de silício monocristalino e da eficiência energética de módulos fotovoltaicos e inversores conectados à rede elétrica.

O primeiro ponto importante é justamente o caráter obrigatório dessas regras. Até então, algumas classificações discutidas pelo setor tinham a função de recomendar boas práticas ou indicar diferentes níveis de desempenho. As novas normas, por outro lado, estabelecem requisitos que deverão ser efetivamente cumpridos.

Esses limites poderão influenciar não apenas a fabricação, mas também a comercialização, as importações, as compras governamentais e as licitações de projetos solares. Isso quer dizer que uma empresa poderá precisar comprovar o atendimento aos padrões para participar de determinados processos de contratação ou colocar seus produtos no mercado chinês.

Uma das normas se concentra na produção de polissilício, matéria-prima utilizada no início da cadeia de fabricação dos equipamentos fotovoltaicos. Embora o nome pareça complicado, o conceito é relativamente simples. Antes de se transformar nas células que vemos dentro de um painel solar, o silício passa por diversas etapas industriais de purificação e processamento. Essas etapas consomem energia.

As novas exigências tornam mais rigorosos os limites de consumo energético em determinados processos produtivos. A expectativa é que fábricas mais antigas e com gasto elevado de energia sejam pressionadas a modernizar suas instalações. Entre as melhorias previstas estão a recuperação de calor, a reciclagem de hidrogênio e a otimização de processos industriais.

Outra norma trata da produção de silício monocristalino, utilizado na fabricação de lingotes e wafers. Os wafers são lâminas muito finas de silício que servem de base para a produção das células fotovoltaicas. Nessa etapa, as regras estabelecem limites para o consumo de energia durante o crescimento dos cristais e a fabricação dessas lâminas.

O impacto deverá ser maior sobre fornos antigos, linhas menores e processos menos eficientes. Ao mesmo tempo, as exigências podem estimular o aperfeiçoamento do controle térmico, a produção contínua dos cristais e o uso de wafers mais finos.

Em outras palavras, a China está indicando que a modernização da indústria não deverá se limitar ao produto final. A forma como os materiais são produzidos também passa a ter um peso maior.

 

Módulos e inversores também terão requisitos mínimos

As novas regras não ficam restritas às matérias-primas. Uma das normas estabelece níveis mínimos de eficiência para módulos fotovoltaicos de silício cristalino e inversores conectados à rede.

Os módulos fotovoltaicos, popularmente chamados de placas solares, são responsáveis por transformar a luz do sol em eletricidade. A eficiência do módulo indica quanto da energia solar recebida pode ser convertida em energia elétrica. De maneira simples, quanto maior a eficiência, mais eletricidade pode ser produzida dentro de uma determinada área, desde que as demais condições sejam semelhantes.

A norma chinesa deverá dividir os módulos em três classes de eficiência energética, sendo a Classe 1 a mais elevada. Os limites mínimos da Classe 3 ficam próximos de 23,2% para módulos com tecnologias TOPCon e de heterojunção, conhecida pela sigla HJT, e de 23,5% para módulos de contato traseiro, identificados pela sigla BC.

Esses nomes representam diferentes tecnologias usadas na construção das células solares. Mais importante do que memorizar cada sigla é compreender que a indústria desenvolve soluções distintas para captar e aproveitar a luz solar com maior eficiência. Ao estabelecer limites mínimos de desempenho para essas tecnologias, a regulamentação busca reduzir o espaço de produtos que não atendam aos novos padrões exigidos.

A norma também aborda a degradação causada pela combinação de diferentes condições ambientais. Todo equipamento instalado ao ar livre enfrenta sol, variações de temperatura, umidade e outros fatores ao longo do tempo. Por isso, não basta que um módulo apresente bom desempenho apenas quando sai da fábrica. É necessário considerar como ele poderá se comportar durante sua vida útil.

Outro aspecto incluído nas regras é a bifacialidade. Um módulo bifacial consegue aproveitar a radiação solar em suas duas faces. A parte frontal recebe a luz diretamente, enquanto a parte traseira pode captar a radiação refletida pelo solo ou por outras superfícies.

Os níveis mínimos de bifacialidade indicados são de 75% para módulos TOPCon, 85% para módulos HJT e 70% para módulos BC. Esses percentuais não representam a eficiência total dos equipamentos. Eles expressam a relação entre a capacidade de geração da parte traseira e a capacidade da parte frontal do módulo.

Os inversores também terão de cumprir requisitos. Esse equipamento recebe a eletricidade produzida pelos módulos e realiza a conversão necessária para que ela possa ser utilizada em uma instalação conectada à rede.

A regulamentação classifica os inversores conforme sua potência nominal e estabelece valores mínimos para a eficiência média ponderada e a eficiência máxima de conversão. A expectativa é que as novas exigências acelerem a substituição de inversores menos eficientes e fortaleçam a adoção de produtos com melhor desempenho, especialmente em projetos fotovoltaicos de grande porte.

 

Da disputa por preços à busca por qualidade

As normas chegam em um momento de forte excesso de capacidade produtiva na China. Durante esse período, a competição entre fabricantes foi marcada pela redução de preços em diferentes partes da cadeia fotovoltaica.

Preços menores podem facilitar o acesso à tecnologia solar. No entanto, quando a concorrência se concentra excessivamente nesse único fator, empresas com instalações antigas ou processos menos eficientes podem continuar operando apenas por meio de uma disputa intensa por mercado. As novas exigências procuram alterar esse equilíbrio, criando limites técnicos que precisam ser respeitados independentemente do preço oferecido.

Os impactos mais fortes são esperados sobre antigas linhas de produção de módulos PERC, primeiras gerações de linhas TOPCon, instalações de polissilício com alto consumo energético e equipamentos mais antigos usados na fabricação de wafers. Por outro lado, fabricantes com tecnologias mais avançadas e menor consumo específico de energia tendem a ficar em uma posição mais favorável.

Cabe uma observação aqui: o consumo específico de energia mostra quanta energia é necessária para produzir determinada quantidade de material ou equipamento. Imagine duas fábricas que produzem o mesmo volume de componentes solares. Se uma delas utiliza muito menos eletricidade durante o processo, ela apresenta menor consumo específico e, portanto, maior eficiência energética na fabricação.

Essa discussão é especialmente relevante para um setor associado à transição para fontes renováveis. Um painel solar produzirá energia limpa durante sua operação, mas sua fabricação também exige matérias-primas, equipamentos e eletricidade. Reduzir o consumo industrial necessário para produzir cada componente contribui para tornar toda a cadeia mais eficiente.

As novas regras também poderão mudar a forma como os equipamentos são escolhidos. Empresas estatais de serviços públicos, projetos apoiados pelo governo e licitações centralizadas poderão adotar os limites como requisitos mínimos ou utilizá-los na pontuação das propostas. Com isso, produtos de maior eficiência e menor intensidade energética podem ganhar espaço, enquanto soluções de baixo custo e desempenho inferior tendem a encontrar mais obstáculos.

No curto prazo, as medidas poderão exigir novos investimentos das fábricas. Modernizar uma linha de produção, substituir equipamentos e melhorar processos envolve custos. Algumas unidades mais antigas podem deixar de ser competitivas ou até ser desativadas.

No longo prazo, porém, a expectativa é que a indústria fotovoltaica chinesa passe por uma transformação mais profunda. O modelo baseado principalmente em expansão e escala poderá dar lugar a uma indústria mais concentrada em eficiência, qualidade, baixo consumo energético e desempenho durante todo o ciclo de vida dos produtos.

Para o consumidor, a notícia reforça uma lição importante: um sistema fotovoltaico não deve ser avaliado somente pelo menor preço. Eficiência, qualidade dos equipamentos, adequação ao projeto e desempenho ao longo dos anos também precisam fazer parte da decisão. Um produto barato, mas pouco eficiente ou inadequado às necessidades da instalação, pode não representar a melhor escolha no longo prazo.

As mudanças anunciadas pela China mostram que o próprio setor está caminhando para critérios mais rigorosos. A indústria que produz equipamentos destinados à geração de energia renovável também precisa buscar processos produtivos eficientes, produtos confiáveis e melhor aproveitamento dos recursos.

Na Inovacare SOLAR, acompanhamos as transformações da indústria fotovoltaica para ajudar residências e empresas a tomarem decisões mais conscientes. Mais do que selecionar equipamentos, um bom projeto precisa combinar qualidade, dimensionamento adequado e instalação profissional, para que a energia do sol seja aproveitada com segurança, eficiência e benefícios duradouros.

 

Referência:

SHAW, Vincent. China toma medidas para conter o excesso de capacidade na indústria fotovoltaica com padrões obrigatórios de consumo de energia. pv magazine Brasil, 6 jul. 2026. Disponível em: https://www.pv-magazine-brasil.com/2026/07/06/china-moves-to-curb-pv-overcapacity-with-mandatory-energy-consumption-standards/. Acesso em: 22 jul. 2026.

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